segunda-feira, 30 de março de 2015

LIVRETANDO - A PROSA DO MUNDO (Maurice Merleau-Ponty)

MERLEAU-PONTY, Maurice. A prosa do mundo. São Paulo: Cosac Naify, 2002.



Foto: Evandro Jair Duarte

Um livro publicado pela editora Cosac Naify é antes de tudo uma grande obra de arte. Este tem a capa dura com uma sobrecapa linda. O papel é especial e o texto além de denso (pois o autor é denso no que escreve) é muito bem revisado.

Registro aqui a minha impressão ao iniciar a leitura. Texto profundamente inteligente e de difícil trajeto para o acompanhar na linha de raciocínio do autor. Preciso ficar focado e desconectado de tudo ao meu redor para o processo de leitura, registro e compreensão de Maurice Merleau-Ponty.

Esta é um obra inacabada de Merleau-Ponty (MP), ele trabalha com experiência do mundo percebido, o espírito e a verdade, a coisa percebida, as propriedades sensíveis, a linguagem...

Mesmo assim, eu super recomendo a leitura deste livro maravilhoso!

Neste livro, Merleau-Ponty nos alerta que eu sou o outro do outro e que o outro do outro sou eu.


A grande prosa é a arte de captar um sentido jamais objetivado até então e de torná-lo acessível a todos os que falam a mesma língua” (LEFORT in: MERLEAU-PONTY, 2002, p. 9).

É bem verdade, como dizíamos há pouco, que ela nos lança à intenção significante de outrem para além de nosso pensamentos próprios, assim como a percepção nos lança às coisas mesmas para além de uma perspectiva da qual só me dou conta depois. Mas esse poder de ultrapasar-me pela leitura, devo-o ao fato de ser sujeito falante, gesticulação lingüística, assim como minha percepção só é possível por meu corpo” (MERLEAU-PONTY, 2002, p. 36).

terça-feira, 24 de março de 2015

LIVRETANDO - A IARA (por Laiz B. Carvalho; Ilustração [de] Taline Schubach)

CARVALHO, Laiz B. A Iara. História recontada por Laiz B. Carvalho. Ilustrações [de] Taline Schubach. São Paulo: Folha de São Paulo, 2015. (Coleção Folha Folclore Brasileiro para Crianças; v. 7).
Foto: Evandro Jair Duarte

Essa história eu conhecia, um pouco, de ver na televisão. Em desenhos ou na releitura de Monteiro Lobato, com a Iara do Sítio do Pica Pau Amarelo.

Uma menina que mora no fundo do rio e vem à tona para sentar em uma pedra, pentear seus lindos cabelos, cantar e seduzir. 

Iara é a senhora das águas.

Ela é semelhante à sereia, metade mulher e metade peixe.

Na história está que Iara era uma pequena índia que foi até o rio e se perdeu. Ao chegar a noite ela ficou por ali. Fez das águas suas moradas e ao entrar se transformou em metade humana e metade peixe.

Lá no fundo das águas doces está o seu castelo de cristal com muitas preciosidades.

Alguns já a visitaram e não voltaram mais, os que dizem conseguir voltar contam das maravilhas vistas e aconselham aos outros a não ficar perto do rio no cair da tarde.

A história é cheia de imagens lindas, detalhes que enriquecem o texto de Laiz B. Carvalho. Vale a pena conhecer e ler. 


O livro contém:

- Vamos brincar?
- Para fazer em casa - Barquinho de papel (para navegar nas águas da Iara...)
- Cantando e brincando - A canoa virou
- Vamos cantar? - Peixe vivo
- Parlendas - Para quando você entrar no rio
- Quem quer brincar? - Mamãe, posso ir?
- Para recitar
- Esticando a língua - Lá vai uma barquinha...
- Adivinhe, adivinhão! - O que é, o que é
- Conheça mais sobre o folclore brasileiro - Quem acredita no Boto?
- CD com a história e músicas.



LIVRETANDO - O CURUPIRA (por Laiz B. Carvalho; Ilustrações [de] Adilson Farias)

CARVALHO, Laiz B. O Curupira. História recontada por Laiz B. Carvalho. Ilustrações [de] Adilson Farias. São Paulo: Folha de São Paulo, 20015. (Coleção Folha Folclore Brasileiro para Crianças; v. 6).
Foto: Evandro Jair Duarte

Eu lembro pouco do Curupira, das aventuras apresentadas em algum programa de televisão. Ele é um guardião das matas, cuida das árvores e dos animais.

No livro é retratado como pequeno, do tamanho de um menino, dizem que é forte e muito esperto.

É ele quem cuida de tudo na mata, quando vem caçadores e lenhadores, fica como uma de suas obrigações a de espantar os invasores indesejados.

O pequeno salva os que estão em perigo (animais, árvores e outros seres da mata).

Com seus pés virados para trás, ele engana aos que tentam seguir seus passos.

Essa história recontada por Laiz B. Carvalho é muito gostosa de ler.
O livro inclui:
Vamos brincar?
Para fazer em casa - Zarabatana
Quem quer brincar? - Pega-pega
Cantando e brincando - senhor caçador
Vamos cantar? - Sapo Cururu
Parlendas
Para recitar
Enrosca a língua
Adivinhação
Conheça mais sobre o Folclore Brasileiro - Quem acredita na ONÇA-MANETA?
CD com histórias e cantigas.

quinta-feira, 12 de março de 2015

FILME - VERSOS DE UM CRIME

Título: Versos de um crime (Kill yours darlings)
Direção: John Krokidas
Elenco: Daniel Radcliffe, Dane DeHann, Michael C. Hall, Jack Huston, Ben Foster, David Cross, Jennifer Jason Leigh, Elisabeth Olsen
Ano: 2014
Gênero: Suspense, drama.
Filme visto na tv fechada.

Todas as imagens foram retiradas da internet (pesquisadas no google imagens).

Gosto muito de livros que falam de livros, tratam dessa temática. Igualmente é o gosto por filmes que trazem a biblioteca, o bibliotecário, o livro, a leitura, a literatura, a escrita, o escritor... como parte central do enredo. O título Versos de um crime me chamou a atenção e iniciei a sessão da tarde.


Um filme com Daniel Radcliffe, um estudante 


No início do filme uma música nos remete aos anos 60 ou 70 e uma citação do narrador diz o seguinte: "Algumas coisas, uma vez que você as amou, tornam-se suas pra sempre. E, se você tenta deixá-las ir elas dão a volta e retornam pra você, e elas se tornam parte de você... ou destroem você".



É um filme baseado em fatos reais.



Ambientado em 1944, o filme traz a história de um rapaz chamado Allen Ginsberg (Daniel Radcliffe), tem um sonho, o de ser um escritor, mas ele cuida da mãe com transtornos mentais. O pai é poeta de renome, que enternaria a mãe em uma instituição, se pudesse. Allen faz a inscrição em uma Universidade, a da Columbia, e é aprovado.



Ao chegar à Universidade uma visita guiada à biblioteca o faz presenciar uma cena interessante e inusitada para a época. Enquanto observavam obras raríssimas, que estavam expostas em mesas-vitrines, um jovem sobre em uma das mesas e recita um verso obsceno, de um livro restrito (censurado), a funcionária da biblioteca solicita que ele saia, na negativa ela chama os seguranças para retirá-lo do recinto.



Iniciam as aulas, as discussões, as descobertas, o início de amizades... e uma em especial é iniciada, com o tal rapaz que subiu na mesa e recitou os versos proibidos, o nome dele é Lucien (Dane DeHann). 


Allen e Lucien

As festas universitárias, sempre tão regadas de regras quebradas. Uma festa na casa de um rico excêntrico e intelectual, muitas bebidas, drogas, música, mulheres, divagações poéticas e filosóficas, tramas, ... jovens estudantes em busca de uma revolução literária.

O jovem precisa escrever para seu trabalho final, uma obra de ficção, ele escreve um texto que era para ser a defesa de seu amigo maluco, mas que o acusa de envolvimento, assassinato e deturpação da moral de uma época que não aceita sair dos padrões já estabelecidos.



Há na história um professor que se sujeitou a trabalhar como zelador da Universidade para ficar mais perto de seu pupilo, aquele que ele se relacionou e não largou mais do pé, em virtude da paixão nutrida por favores intelectuais (escritas de trabalhos para garantir notas). 

O uso de drogas é presente e uma droga é experimentada para auxiliar na liberação da mente para escrever sem muito pensar. O estudante utiliza e escreve sem cessar.


Um escritor surge como um novo amigo e é um transgressor. Ele diz que há muitos canalhas isolados escrevendo livros que não são bons, enquanto a boa escrita está na vivência, nas linhas dos frontes de guerra.

Os novos amigos aprontam muito. Um dia, três deles distraem a atendente da biblioteca para poder pegar a chave que dá acesso aos livros restritos e fazer uma cópia. Eles voltam mais tarde e o professor que é o zelador os delata aos guardas da ronda noturna. Eles conseguem fugir. Porque eles fizeram isso? A surpresa foi que eles trocaram todos os livros raros que ficam em um expositor da biblioteca, esses que são mesas com vidro. A Bíblia de Gutenberg e outros itens tão importantes quanto foram retirados e substituídos por outros quaisquer, desde que tivessem assuntos e imagens profanas, restritas. Assim, quando os novatos são guiados para conhecer a biblioteca e as tais obras a grande piada é revelada.

Allen apaixona-se por Lucien e sente ciúmes da relação dele com o novo amigo, o escritor transgressor.

Lucien resolve encontra-se com o professor que o assediava, no entanto Allen não sabe o fim desse encontro, ele imagine ser o reatar de uma velha paixão. Assim, Allen, em um bar, encontra um homem sai com ele e vai para a cama.

Mas, quem ele ama é Lucien... Muitos percalços, muita tensão, muita intensidade, uma morte e muitos pagam. Porém, um amigo tenta ajudar o outro, só que há um segredo que envolve o prisioneiro. Algo sinistro e macabro, que é revelado... e agora? Ajudar a quem sempre foi ajudado e nunca deu valor? Ou deixar que siga sua vida, pagando pelo que fez e seguindo com suas próprias pernas? Ou seja, que se vire?!

No fim, o destino se encarrega de fazer o que deve ser feito.
Um filme cheio de ideias de universitários revolucionários, festas, drogas, sexo e intensidade. Mas, o que achei interessante é que as cenas trazem a imagem de Daniel Radcliffe bem diferente do que o público acostumou a ver em Harry Potter, ousado, quebrando tabus, polêmico.

Trata de assuntos polêmicos para uma sociedade em 1944.

Eu, em particular, não curti o filme. Achei ruim.
Mas, gosto é gosto.

FILME: DIVERGENTE

Título: Divergente (Divergent)
Direção: Neil Burger
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet, Zoë Kravitz, Ansel Elgort, Miles Teller, Jai Courtner, Maggie Q.
Ano: 2014
Gênero: Ficção científica, ação, romance.
Filme visto na TV Fechada.

Foto: internet

Este filme eu já havia visto que estava na lista de filmes disponíveis no Now da TV Fechada. O thriller não me chamou a atenção. Mas, eu já assisti a todos os que eu considerava interessante e em um domingo que se deseja ver algo na tv e não tem nada de bom passando na programação. Você vai até essa seleção disponível e decide dizer: vamos ver no que vai dar!

Não é que o filme é bom? Bem, eu gostei.

Uma sociedade dividida em grupos criados como facção. Uma delas é a INTELIGENTES, com os eruditos, os cientistas; outra com a AMIZADE, os que cuidam da terra e suprem a população com alimentos; a FRANQUEZA, com pessoas honestas, que cuidam da ordem da civilização; a facção AUDÁCIA, é a que vivem os soldados, os protetores, a polícia, e; a ABNEGAÇÃO, com pessoas de vida simples. No momento inicial do filme a Abnegação é a facção que comanda a cidade e há um movimento para tirar deles o poder de comandar.

A personagem principal é Beatrice, ela tem que fazer um teste para saber em qual dos 5 grupos ela ficará vivendo. 

Eu acho que ela será uma AUDÁCIOSA! 

O negócio é que após o teste que será feito com ela em uma sala especial, ela terá que escolher uma das facções e não poderá mais voltar atrás. Uma vez escolhida a nova vida ela terá que viver ou então será banida e viver como uma sem facção. O que não é bom para ninguém dessa nova civilização.

Beatrice tem um tipo raro de resultado no tal teste. Ela não é só audaciosa, ela é inteligente e abnegada (uma divergente). Um destino perigoso, pois os divergentes estão sendo caçados e mortos.

Foto: internet

Ela tem que escolher a facção que irá. A escolha é a Audácia e passa a viver com os guerreiros. 

Tudo é novo - o nome, o grupo, as roupas, a vida - agora ela é uma guerreira. E não terá moleza.

Começam os treinamentos físico e mental para ditar a função que os iniciados na facção terão dentro do novo grupo.

Foto: internet

Beatrice agora é Tris. O teste é duro e cheio de esforço, luta, sobrevivência, superação... Tris mostra com atitudes que DESISTIR não é o que a rege.

Um bom thriller. Vale a pena.

segunda-feira, 9 de março de 2015

DIVULGAÇÃO - SEMANA DO BIBLIOTECÁRIO

A Associação Catarinense de Bibliotecários - ACB convida você a participar dos eventos que serão realizados na semana do bibliotecário.

Veja a programação abaixo, inscreva-se venha conosco nesses dias aproveitar, discutir, socializar, conviver e fazer novas amizades.



quarta-feira, 4 de março de 2015

LIVRETANDO - O ESCARAVELHO DO DIABO (por Lúcia Machado de Almeida)

ALMEIDA, Lúcia Machado de. O escaravelho do diabo. 13. ed. São Paulo: Ática, 1987. (Série Vaga-lume).




Foto: Evandro Jair Duarte

Peguei emprestado na Biblioteca Pública de Santa Catarina.

Voltar à leitura de um livro da Série Vaga-Lume me traz boas lembranças. 

Lembro-me de estar na quinta série do ensino fundamental. Eu estudei no E.E.P.S.G Henrique Botelho, na cidade de São Sebastião (SP), no litoral norte.

A professora de Língua Portuguesa passou a lista dos livros que iríamos ler no ano e o primeiro seria Pega Ladrão, uma obra gostosa de ler e envolvente. Recordo que eu queria saber logo quem era o ladrão da história. Naquele tempo eu lia bem devagar, ainda leio lentamente, mas naquela época mais ainda. Pouca prática = pouca velocidade.

Depois lemos "Sozinha no mundo", a triste história de uma órfã, em seguida "o Mistério do Cinco Estrelas", outro suspense a ser desvendado. Por fim, "Zezinho, o dono da porquinha preta", triste história.

Outros livros foram lidos desta série, sem a professora solicitar leitura. Mas, o livro em questão, "O escaravelho do Diabo" eu não li. 

Como eu fiquei sabendo que ele terá versão, em breve, para as telas dos cinemas, eu resolvi ler por agora.

Narra a história de perigo para os ruivos. Eles são assassinados. E quem os mataria? Qual o motivo de tamanha violência? O que eu mais gostei é que não é um livro óbvio. Vale a pena ler e deixar se envolver pelo mistério.

Concordo com alguns leitores que o texto tem trechos e falas que demonstram um certo machismo. Mas, permito-me viajar e pensar que a autora narra uma história em 1987, os diálogos são os de meninos que estão a procura de meninas para curtir e namorar, falas de demonstração e exibicionismo masculino. Algumas falas que demonstram diminuir a mulher em alguns aspectos. 

Mas, prefiro pensar no contexto da época. Não há desmérito não.

Indico e digo que os leitores irão se divertir com o mistério.

DIVULGAÇÃO - OFICINA: A BIBLIOTERAPIA COMO RECURSO NO ESPAÇO EDUCACIONAL (Liège Knoche)

OFICINA: A BIBLIOTERAPIA COMO RECURSO NO ESPAÇO EDUCACIONAL MINISTRANTE: Liège Knoche Bacharel em Biblioteconomia – Gestão da Informação...