terça-feira, 28 de março de 2017

LIVRETANDO - OS COLEGAS (Lygia Bojunga)


Sou Evandro Jair Duarte e Coordeno a Oficina Literária Boca de Leão na Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina.

Dentro do Projeto da Oficina Literária nasceu outro: Clube do Livro Lygia Bojunga.

Mais adiante vocês poderão ler os objetivos deste Clube.

A Oficina Literária Boca de Leão tem um Blog próprio e eu divulguei lá o texto referente ao Encontro destinado ao Clube do Livro.

Como o texto é de minha autoria, reproduzo aqui o mesmo texto na íntegra, para o conhecimento de quem me lê.

ATENÇÃO: INFORMO QUE ESTE TEXTO É DE MINHA AUTORIA E QUE EU JÁ O ESCREVI E PUBLIQUEI ANTES, NO BLOG DA OFICINA LITERÁRIA BOCA DE LEÃO TAMBÉM.

Fonte do conteúdo abaixo: https://oficinaliterariabocadeleao.wordpress.com/2017/03/28/2017-terceiro-encontro-clube-do-livro-lygia-bojunga/



No dia 28 de março de 2017 nos reunimos para o Clube do Livro Lygia Bojunga. O local do encontro foi o auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina. Neste dia estiveram presentes alguns interessados em conhecer a autora e ler esta obra em específico. No entanto, informo que a leitura foi prévia e o encontro ocorreu para debater várias partes do livro e o que cada um observou e sentiu durante a leitura.

Foto: internet.




https://oficinaliterariabocadeleao.wordpress.com/2017/03/28/2017-terceiro-encontro-clube-do-livro-lygia-bojunga/

Meu nome é Evandro Jair Duarte, sou bibliotecário da Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina, atuante no Setor de Obras Raras da instituição. Lembrei de meus primeiros dias na Biblioteca, em que eu realizava eventos e ações culturais quase todos os dias. Trabalhei com a comunidade catarinense com atividades como: visitas guiadas, troca de livros, exposições, apresentações de teatro, dança e músicas, datas comemorativas, mostras de cinema, agenda de auditório, entre outras possibilidades.
Sempre tive a vontade de trabalhar mais diretamente com a escrita e leitura. Nunca objetivei estar à frente como ministrante, mas como Coordenador e ser ela entre os participantes e ministrantes, palestrantes. Assim, a Oficina Literária Boca de Leão entrou na Biblioteca Pública com a ideia trazida por Claudete Terezinha da Mata. Ela ficou de 2012 a 2015 e doou o Projeto à Fundação Catarinense de Cultura. Eu fiquei como Coordenador e Claudete como ministrante no início de 2016. No entanto, ela precisou dedicar tempo à Academia Brasileira de Contadores de Histórias.
Com a diminuição da presença de Claudete nas Oficinas, eu tomei à frente e passei a ministrá-la. Mas, sempre inquieto com a palavra Literária. Fiz uma disciplina no Programa de Pós-Graduação em Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com a Professora Tânia Ramos eu descobri que o que é literário é vasto e as possibilidades são grandiosas.
Assim, entendi que a Oficina Literária poderia trazer para suas rotinas a leitura de obras específicas e encontrei nesta possibilidade o momento de aliar dois amores, leitura e Lygia Bojunga. Esta autora eu tinha conhecimento e aproximação e o desejo em trabalhar com seus livros foram crescendo em mim. Compreendi que criar um Clube de Leitura é antes de tudo um investimento de tempo e dedicação. Pensei que ao propor uma atividade como esta ao público, as possibilidades são variadas. Fiquei por um tempo pensando sobre a ideia e conclui que eu precisaria trazer ao público a leitura de Lygia Bojunga, autora que conheci em 2004 e desde então tenho um terno carinho.
Projetei os passos da Oficina Literária Boca de Leão para o ano de 2017 e inseri os Encontros do Clube do Livro nas últimas terças-feiras de cada mês, a partir da Abertura desta Oficina. Desta forma, o Clube do Livro Lygia Bojunga nasceu como uma forma de promoção e incentivo à leitura desta grande escritora nacional.
Na imagem a seguir, temos a divulgação dos objetivos, do público-alvo, das regras, dos encontros e do contato para participar.
Para o ano de 2017, as obras estipuladas para leitura são:
1 – Os Colegas
2 – Angélica
3 – A bolsa amarela
4 – A casa da madrinha
5 – Corda bamba
6 – O sofá estampado
7 – Tchau
8 – O meu amigo pintor
9 – Nós três
Os demais livros foram organizados para serem lidos em 2018 e 2019.
No primeiro encontro do Clube do Livro Lygia Bojunga, a obra explorada foi OS COLEGAS, ilustrada por Gian Calvi. Todos leram previamente o livro e foram para a Biblioteca Pública discutir impressões e demais aspectos da obra. O propósito maior era a conversa em torno da obra escolhida.
A palavra foi dada aos participantes para darem suas impressões com o primeiro contato com o livro e com a obra de Lygia Bojunga.
Apenas uma participante havia lido A BOLSA AMARELA e O SOFÁ ESTAMPADO, os demais não conheciam nada da autora.
Participante 1 – Esta participante que já conhecia estas obras de Lygia disse que sentiu estranhamento com a história ter bichos agindo como humanos.
Participante 2 – Disse que não se prendeu ao livro, considerou ser um livro para criança, gostou e disse que se estivesse na estante para ser lido, não seria um de sua preferência.
Participante 3 – Comentou que recebeu a obra para ler de maneira aberta e que não se surpreendeu o fato de ter bichos falando e agindo como pessoas.
Participante 4 – Falou ter escrito história sobre bichos conversando e ao ler a história lembrou desta experiência na infância. Percebeu que todas as fases da história fazem parte de nossas vivências.
Participante 5 – Sinalizou que não gostou muito de ler OS COLEGAS, mas se permitiu ler. Afirmou não gostar muito de livros dedicados ao público infantil.
Participante 6 – Disse que é um livro para criança e que gostaria de dar para o neto ler e ver o que ele acha da obra. Percebeu nos personagens com as vivências de crianças de rua.
Participante 7 – Declarou que nunca foi atraída por ficção e que todo tempo se pegava pensando em um bicho e como ele poderia fazer aquilo que era humano. Mencionou ter dado risadas e gostar da leitura, apesar dos dois movimentos de gostar e não gostar estar a todo estante em briga dentro dela.
Participante 8 – Afirmou que o fato de ser bichos falando e agindo como pessoas era algo que chamou sua atenção. Gostou da obra e disse ser agradável. Ela percebeu ser uma escrita muito cheia da alegria brasileira. Ela vem de outro país e está no Brasil a algum tempo.
Participante 9 – Falou que estranhou de início e buscou abstrair e ver qual mensagem estava no livro, encontrou AMIZADE, SOLIDARIEDADE, UNIÃO, CRIATIVIDADE e o SACRIFÍCIO pelo amigo. Disse gostar.
Participante 10 – Descreveu sobre sua percepção da obra, declarando ser um livro difícil de ler. Que percebeu ter mensagens complexas para uma criança ler e entender. Considerou ser confuso os personagens em momentos serem colocados na condição de bicho e em outros momentos na condição de humano.
Partipante 11 – Declarou não ter gostado e que causou estranhamento. Disse não ser muito fã de textos fantasiosos. O jeito da autora conduzir e de ter animais agindo como humanos não gostou. Buscou no texto e nas mensagens uma forma para gostar. Mas, não gostou.
Participante 12 – Considerou estranho os animais agindo como humanos.
Participante 13 – Foi o primeiro contato e há muito tempo não lia nada infantil. Buscou encontrar o que Lygia estava querendo dizer e ficou buscando por muito tempo. Disse que ficou curiosa para conhecer outras obras e ver como ela trabalha. Disse que gostou.
Participante 14 – Falou que ficou curiosa para saber o que mais Lygia tem para oferecer. Gostou também de Os Colegas.
Na sequência, eu (Evandro) passei a conduzir a conversa em torno do enredo da obra. Conversando sobre a autora nós descobrimos que ela mora no Rio de Janeiro e passa um bom tempo em Londres. Por ser moradora da cidade do Rio, ela acaba trazendo para as obras o que é forte e rico na cidade maravilhosa, como o samba e aspectos sócio-culturais da cidade. Conversamos um pouco mais sobre ela, suas obras, prêmios, entre outros aspectos.
CAPÍTULO 1 – O INÍCIO
Sobre a história, percebemos que tem diálogo em boa parte da obra, as descrições são colocadas para dar o cenário no qual os personagens irão interagir. Uma linguagem voltada para o público iniciante, as crianças e os jovens podem se encontrar na forma escrita de Lygia, pois o diálogo é algo presente na experiência infantojuvenil e a inserção dos textos densos e gradualmente se faz com o passar dos anos. Diretamente, na história, percebemos que no início da leitura nos deparamos com a briga de dois cães por causa de um osso encontrado em uma lata de lixo. Um garoto passa assobiando um samba, mas estava errado. Os dois param a briga para corrigi-lo. O garoto nem liga e vai embora. Os dois percebem algo em comum, os dois gostam de samba. Por meio da música e do samba eles se tornam COLEGAS. Fizemos a leitura de que no momento em que um pergunta ao outro o nome, eles pensam e dizem: não sei, ninguém me chama. Neste momento viajamos nesta declaração. Ninguém percebe o personagem, ninguém o vê e comparamos com as pessoas que estão às margens na sociedade.
Um personagem diz que o chamam de vira-lata, o outro também diz ser chamado assim. Observamos que Lygia brinca com a construção do nome dos dois cães, um seria Virinha e o outro Latinha, já que ambos são vira-lata.
Uma participante disse que não gosta da estrutura do texto e da forma do texto, prefere textos mais densos. Reafirma sentir-se incomodada com os personagens serem bichos falantes e humanizados. Exigia, na leitura, mais da autora, disse não ser suficiente só os diálogos. Gostaria de muito mais da escrita de Lygia. Sobre a construção do nome, o que chamou atenção foi: ninguém me chama. Entendeu e percebeu uma piada. Engraçado por ninguém chamar os personagens. Divagou sobre as possibilidades do “chama”.
Consideramos a construção dos nomes dos personagens e a forma como Lygia insere a descrição física dos personagens. Os dois se olham e se percebem. Lembramos que muitas vezes, ao construir o personagem e suas características, apresentamos e raras vezes voltamos a essas descrições. Lygia faz um retomar da descrição da característica física em outras passagens do texto, que não somente na introdução do personagem. Percebemos que por ter poucas imagens, um recurso interessante é a descrição das características e do lembrar dessas características. Esta técnica nos faz pensar e visualizar a cena, a imagem.
Conversamos sobre algumas descrições serem apenas uma forma de nos provocar (nós leitores) a imaginar e inserimo-nos na construção da cena e do próprio texto. Estamos participando do texto com nossas colocações e nossas intromissões ao construirmos partes do textos ou cena junto com Lygia. Viajamos e brincamos juntos. Consideramos ser fundamental que o autor não nos dê tudo tão mastigado e de graça, que ele possa nos provocar. Percebemos uma brincadeira de Lygia com algumas palavras, que neste caso foi com o verbo cismar.
[…] quando cisma […]
[…] vontade de cismar […]
[…] acabou cismando […]
OS COLEGAS vão morar juntos atrás de uma grande pilha de entulho em um terreno baldio. Surge então, FLOR DE LIS. Um não sabia o que era Flor de Lis e resolveu chamá-la só de FLOR. Ela era uma cachorrinha comprada em loja de cachorro, foi sendo tratada como humano, usando: perfume, roupas, pulseiras, capa de chuva, bota de chuva, coleira, talco, pó de arroz, brincos e participando de concurso de beleza. Tudo isso a incomodava e fugiu.
Percebemos que Lygia deixa claro a democracia, os bichos vivem bem na coletividade com cães, coelho, urso, tatus, todos vivem e se ajudam. Apesar de não terem a mesma origem e serem tão diferentes, têm coisas em comum.
Chamou-nos atenção a questão de cachorro querer ser cachorro e não humanizado, apesar de ser um texto escrito há muito tempo, esta situação é algo muito atual e presente em nossa sociedade. Os cães são tratados como filhos, como pessoas, humanos.
Lembramos sobre a LOUCURA, apresentada no texto. Quem é louco? O homem humanizando o bicho ou o bicho querendo ser bicho? Pois, na história percebemos que Flor é considerada pelos COLEGAS como birutinha por ter se jogado no mar várias vezes para se livrar do perfume. Um de seus colegas diz a ela que é biruta por agir daquela forma, ao se livrar dos apetrechos humanizantes e do mergulho dado. Ela diz que pode ser sim, ou então, a sua antiga dona que a tratava desta forma.
Foi percebido ser trabalhado a metáfora o tempo todo e à questões sociais a todo momento.
Outra percepção foi a da possibilidade de fuga dos personagens. Fuga de quê? 1972 o Rio de Janeiro tem um processo de higienização da sociedade carioca, de mudança social e do espaço físico.
Chegamos a um consenso de que Lygia não quer passar mensagem moral alguma, apesar de verificarmos a moralidade na história. Ela não deseja focar e dizer qual é a moral da história. Ela trabalha questões sociais e de convívio, mas não força a barra para deixar claro qual é a”lição” que deseja passar.
Pensamos na fuga da realidade.
Uma participante ficou realmente incomodada com a possibilidade de ora o bicho ser bicho e agir como bicho, apesar de falante; ora o bicho é tratado e age como humano e está em situação de humano em rotina na sociedade. Outros participantes consideraram que o ideal é não querer se prender à lógica racional e se permitir brincar e viajar no poder da literatura.
Percebemos os artifícios utilizados por Lygia para falar dos personagens e suas histórias dentro da história. Vários aspectos de estilos são apontados.
Eis que entra na história o URSÍSSIMO (porque era grande), que fugiu do zoológico para conhecer o mundo, passou a ser chamado por Voz de Cristal por caus ada voz fina que nem uma agulha. Juntos OS COLEGAS foram conhecer o circo e riram dos palhaços. Consideramos engraçado o fato de Voz de Cristal ter sido encontrado embaixo de um banco da praça (como escondido embaixo de um banco, um urso enorme).
Surge na história o coelho apelidado de CARA-DE-PAU, ela tinha a voz mal-humorada, cara “fechadíssima”, complexo de perda. Ele disse que foi perdido pelos pais na casa dos tios, não conseguiram, tentaram perdê-lo na cidade e conseguiram. O medo é algo presente em torno deste personagem. Percebemos que ele segue OS COLEGAS para tentar superar o seu próprio medo. Enquanto os outros queriam se esconder para não serem encontrados (pela dona de Flor, pelo Zoológico, pela carrocinha), o Cara-de-pau queria ser encontrado (pela família). Cara-de-pau provocou o sentimento de pena.
Concordamos que ao receber o nome dado pelos COLEGAS, todos recebiam uma identidade. Eles tinham em comum: a vontade de ter uma vida diferente da que tinham, pois gostaram da liberdade e da nova família.
CAPÍTULO II – É TEMPO DE CARNAVAL
O carnaval chegando e a escolha da fantasia, o consenso chega quando escolhem o palhaço. Lygia brinca novamente com a palavra:
A gente vai ter que se virar!
[…] E começou…
… a viração…” p. 23
Chamou-nos a atenção a sonorização para representar o carnaval: panquititapan! O som é utilizado para mostrar que o carnaval estava perto e Lygia utiliza o recurso para dizer que o tempo está passando e é preciso se apressar, o carnaval está na porta e gostamos da expressão utilizada por ela:
Carnaval impaciente!
O bloco vai pra rua
CAPÍTULO III – A GRANDE FARRA
Percebemos como Lygia descreve os detalhes, a sonorização, os malabarismos de cada um dos personagens. Ela trabalha o tempo todo com todos os personagens. Flor rodopiava como porta-estandarte. Virinha fazia passos complicados, enquanto mestre-sala. Voz de Cristal fazia a cuíca roncar. Cara-de-pau faz bonito no tamborim. Latinha no pandeiro.
CAPÍTULO IV – QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Voz de Crista arrebentou a cuíca. Flor perdeu a bandeira nos rodopios. Cara-de-pau furou o tamborim. Virinha torceu a perna. Latinha perdeu as rodinhas do pandeiro. Cansados da grande farra adormecem na rua mesmo. Acordaram com o apito de Cara-de-pau para avisar da aproximação da carrocinha. Todos se atrapalham para correr, Virinha e Latinha são presos pela carrrocinha.
CAPÍTULO V – UM SUSTO PUXA OUTRO
“[…] estavam loucos para esconder lá dentro aquele susto todo.”
Este trecho lembrou de um recurso utilizado na obra que surgiria anos depois: A BOLSA AMARELA. Em que Raquel escondia dentro da bolsa três grandes desejos e objetos de seu apreço.
Voz de Cristal tem que se disfarçar de mulher e não gostou. Ficou com vergonha. Precisava ser humano e dona dos cães que estão na carrocinha. Sua roupa seria feita de jornal (maxissaia, blusa de manga comprida, chapéu, luvas, cinto e bolsa, tudo de jornal).
Uma participante disse que se tivesse um filho não daria o livro para ler porque o urso estava se vestindo de mulher.
Na roupa de jornal ainda tinha uma notícia: Procura-se o urso que fugiu do Jardim Zoológico. Consideramos ser um recursos utilizado para criar um problema no momento da ida à carrocinha e também deveria ser de jornal, pois no momento da busca dos cães começa a chover e o urso é desmascarado e preso. Foi levado ao Zoológico.
CAPÍTULO VI – É TEMPO DE AFLIÇÃO
Voz de Cristal não volta para OS COLEGAS, eles vão ao Zoológico, gritam e chamam pelo Urso, os moradores passam a resmungar e solicitar que o Dr. Leão teve que intervir e ver o que acontecia. Começou uma briga e com o risco de chamarem a polícia forte do Zoológico, Flor tratou de elogiar o Sr. Dr. Leão para obter a informação que desejava. O leão adorou os elogios e deu a informação de que Ursíssimo estava lá. Não debatemos muito este capítulo, apenas relembramos do episódio e consideramos o aspecto de que muitas vezes, quando um dos amigos se relaciona e namora, acaba por se afastar dos amigos. Fato presente em nossas vidas.
CAPÍTULO VII – A BOLAÇÃO DE FLOR
Lygia brinca de novo com a palavra e desta vez é “bolação”. Pois, Flor iria bolar um plano, por isso bolação.
O plano ou melhor a bolação seria a seguinte:
1 – Seria presa pela carrocinha;
2 – Sua antiga dona iria buscá-la;
3 – Faria greve de fome se os amigos Virinha e Latinha não fossem soltos;
4 – Fugiria da dona.
Percebemos que não adiantou Flor ir à delegacia, pois não foi presa, teve que fazer xixi na bota engraxada do guarda. Foi presa, mas Flor perde a voz e quando a dona vai buscá-la não consegue ajudar os amigos. Vai para casa da antiga dona. Não discutimos muito sobre este capítulo.
CAPÍTULO VIII – SOZINHO OUTRA VEZ
Cara-de-pau se viu sozinho e foi para o barraco onde morava com OS COLEGAS e novamente recebeu esperar por seus COLEGAS, coisa feita durante toda sua vida. Ele esperou por seus pais quando foi perdido na casa dos tios ou na cidade. Travou uma briga com o medo e ele ganhou.
CAPÍTULO IX – OS AMIGOS DE CARA-DE-PAU
Os tatuzinhos Garcia ajudam a cavar um túnel da praia até o canil e ajudar na fuga dos cães. Saíram sujos do buraco perguntando quem eram Virinha e Latinha. Olharam para eles e veio o receio. Pensamos nas várias situações de julgamento em que olhamos alguém sujo ou mal arrumado e ficamos com receio de ouvir ou de conversar. Quando os moradores do canil descobriram que havia um túnel para fuga, todos tentaram se enfiar no buraco. Percebemos que somente quando trabalharam em equipe é que conseguiram contornar a situação de problema. Todos fugiram e os Tatus foram pegos pelos guardas do Canil. Claro que no dia seguinte eles fogem, cavando um túnel. Observamos a amizade e colaboração para ajudar os amigos.
CAPÍTULO X – CORRENTE DE PRATA É BACANA DE SE USAR?
Cara-de-pau viu Flor com a dona, estava toda enfeitada, foram atrás dela. Quando Flor viu os amigos, ela fugiu novamente e repete todo o ritual de se livrar de tudo que a enfeitava e banhava se mais uma vez no mar para tirar o perfume. Comentamos sobre este recurso de repetição e o sentido adequado de colocá-lo novamente na obra.
CAPÍTULO XI – VOZ DE CRISTAL NÃO É MAIS UM COLEGA
Voz de Cristal deixou de ser COLEGA para ficar com sua namorada, mas percebeu que ela não gostava de seus amigos e para não brigar com ela, ele decidiu se afastar ou ficar no zoológico, lugar que eles não ficariam. Percebemos que a girafa queria mesmo era ampliar seu espaço de vivência, queria ampliar para o lado em que o urso vivia. Não conversamos muito sobre este capítulo, ficamos só no egoísmo e na falta de paciência ou de vontade de ser a girafa amiga dos COLEGAS do urso.
CAPÍTULO XII – A TURMA RESOLVE MUDAR DE VIDA
Fizeram um samba na praia e a carrocinha foi novamente chamada para pegar os cães. Fugiram para o mar e perceberam que não podiam mais viver assim. Eles precisavam arranjar um emprego e ter onde morar e pensaram no circo e foram até lá apresentar uma proposta para o dono do circo. Exigiram comida três vezes ao dia, morar no circo, seguro de vida e defesa contra acidentes, horário não muito puxado para poder se divertir. Cara-de-pau se dedicou tanto que engoliu o apito e o dono do circo achou o maior barato o fato dele ter um “suspiro apitado”. Foram contratados para fazer show no circo. Rimos da exigência defesa contra acidentes, que era a defesa contra a Dona de Flor-de-Lis ou do Zoológico que poderia procurar Voz de Cristal ou da Carrocinha.
CAPÍTULO XIII – A ESTRÉIA
Todos os amigos foram avisados que trabalhariam no circo. Voz de Cristal volta a ser um COLEGA, ele larga da girafa e foge do noivado fracassado. Consideramos violento o fato do Urso amarrar a perna da girafa, machucando-a. Ele fugiu e conseguiu uma vaga no circo. Cara-de-pau não conseguia dormir após o show, pois foi um sucesso e sua felicidade foi tamanha que ele arrisca ali no escuro mesmo dar um sorriso e conseguiu.
Conversamos que hoje o circo não trabalha mais com animais, o que demonstra a época da história. Chegamos ao consenso de que não precisamos nos prender à realidade e nos permitir o fantasioso. Concluímos que o politicamente correto acaba por podar muitas possibilidades de diálogo. A fala quando declarada indiretamente permite falar de temas e assuntos sem bater de frente com polêmicas. Lygia trata de diversos assuntos e brinca com realidade e fantasia com o uso de bichos falantes.
Refletimos como podemos utilizar nos textos escritos na Oficina Literária Boca de Leão. Relembramos textos escritos no ano de 2016 que trataram da realidade social.
Encerramos o encontros e no próximo mês será tratada a obra ANGÉLICA, no dia 25 de abril de 2017.

sexta-feira, 24 de março de 2017

DIVULGAÇÃO - CLUBE DO LIVRO LYGIA BOJUNGA


No dia 28 de Março de 2017 inicio o Projeto Clube do Livro Lygia Bojunga no Auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina.

Este Projeto será executado todas as últimas terças-feiras de cada mês, das 19h às 21h.

Ao final de cada ano será emitido o certificado de participação aos presentes no Projeto.

O primeiro livro que estamos lendo é OS COLEGAS.

Venha participar conosco desta ação.




DIVULGAÇÃO - Encontro com Autor Paulino Júnior na Biblioteca Pública de Santa Catarina

Hoje é dia 16 de maio de 2017 e às 19h estarei Coordenando o Nono Encontro da Oficina Literária Boca de Leão no Auditório da Biblioteca Públ...